Por que alguns cães vivem melhor na comunidade do que em abrigos e como isso impacta toda a cidade.
Nos últimos anos, o termo animal comunitário ganhou espaço nas discussões sobre proteção animal e políticas públicas. Ainda assim, muita gente não entende o conceito, acredita que retirá-los das ruas é sempre o melhor caminho ou não sabe que existem leis que regulamentam essa forma de cuidado.
Para esclarecer o tema, conversamos com Amalia Paci, Secretária da Saúde e do Bem-Estar de São José do Rio Preto, que explicou como funciona a convivência desses animais com a comunidade, por que muitos vivem mais e com mais qualidade dessa forma e qual é o papel do poder público e dos moradores.

O que é um animal comunitário e por que isso existe?
Amalia Paci:
“Muita gente vê um cachorro na rua e sente aquela urgência de resgatar, levar para um abrigo ou acionar o Bem-Estar Animal. Isso nasce do cuidado e isso é lindo. Mas existe algo que pouca gente sabe: alguns animais vivem melhor na comunidade do que em abrigos fechados, e a legislação reconhece isso.
Chamamos de animal comunitário aquele cão ou gato que não tem um tutor único, mas é cuidado por várias pessoas do bairro, comerciantes, moradores, equipes de vigilância. Eles recebem água, alimento, carinho, supervisão e, em muitos casos, estão saudáveis e adaptados ao território onde vivem.”
Retirar um cão comunitário da rua é uma boa ação?
Amalia Paci:
“Nem sempre.
Quando tiramos um animal bem adaptado do território dele, podemos causar sofrimento real. Muitos não se adaptam a espaços fechados — eles fogem, escalam grades, entram em estresse profundo ou se machucam tentando voltar ao local que consideram ‘casa’.
A comunidade, sem perceber, oferece um ambiente que o animal reconhece como seguro. Interromper isso pode ser mais prejudicial do que benéfico.”
Quanto tempo vive, em média, um animal comunitário?
Amalia Paci:
“A expectativa média de vida de um animal comunitário é de apenas dois anos. Quando encontramos um cão que vive muito mais do que isso em um bairro, isso revela algo muito importante: aquele território está cuidando bem dele.
Significa que a comunidade alimenta, protege, monitora, castra, vacina e acompanha aquele animal. É uma rede de cuidado, e ela funciona.”
Existe um equilíbrio natural entre cães e gatos na comunidade?
Amalia Paci:
“Sim. Quando uma colônia de cães se estabelece, dificilmente surgirá uma colônia de gatos naquele mesmo território, e vice-versa.
E existe mais um ponto essencial:
Quando esses grupos são estáveis, castrados e vacinados, a chance de novos animais abandonados se fixarem ali é mínima.
Ou seja: cuidar dos que já estão evita novos abandonos no mesmo local.”
Qual é o papel do Bem-Estar Animal e do Centro de Zoonoses?
Amalia Paci:
“O trabalho é conjunto: comunidade + poder público.
Nossas equipes atuam para:
- castrar
- tratar doenças
- vacinar e monitorar comportamento
- garantir condições adequadas de vida
- agir rapidamente em casos de risco, agressividade ou maus-tratos
A ideia não é ‘deixar o animal na rua’, como algumas pessoas acreditam. É garantir que ele esteja seguro onde já está adaptado.”
Animal comunitário é abandono?
Amalia Paci:
“De forma alguma.
Um animal comunitário é parte da rotina, da paisagem e muitas vezes da história de um bairro. Ele pertence ao território, não ao abandono.
Cuidar deles é cuidar da cidade e reconhecer que cada vida encontra equilíbrio de um jeito diferente.”
Por que entender isso importa para a cidade inteira
A forma como lidamos com os animais comunitários impacta:
- políticas públicas de saúde
- controle populacional de cães e gatos
- prevenção de zoonoses
- redução de abandonos
- convivência saudável nos bairros
Quanto mais a população compreende o conceito, mais colaborativa e eficaz se torna a relação entre comunidade e Bem-Estar Animal.
FAQ – Perguntas mais buscadas sobre animais comunitários
1. Posso levar um cão comunitário para um abrigo?
Só em situações de risco, doença grave ou agressividade. Fora isso, ele deve permanecer no território onde está adaptado.
2. Quem é responsável pelo animal comunitário?
A responsabilidade é compartilhada entre comunidade, Bem-Estar Animal e Centro de Zoonoses.
3. Animais comunitários são vacinados e castrados?
Sim. O poder público realiza o acompanhamento e oferece castração, vacinação e tratamento quando necessário.
4. Por que não recolher todos os animais das ruas?
Porque muitos vivem melhor no território e porque recolher sem critério gera superlotação, estresse e risco para os animais.
5. O que fazer se o animal comunitário estiver em perigo?
Entrar em contato imediatamente com os canais oficiais do Bem-Estar Animal.
Conclusão
A cidade que entende o conceito de animal comunitário desenvolve políticas mais inteligentes, reduz abandonos, equilibra sua fauna e fortalece a relação entre pessoas, bairros e animais.
Como destaca Amalia Paci, “cuidar da comunidade também é cuidar dos animais e cada vida encontra seu lugar de equilíbrio quando há respeito, empatia e informação correta.”
Entrevista com Amália Paci Pereira
Secretária do Bem Estar Animal de São José do Rio Preto
Para a Pet & Pet – A rede social Pet.
